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Casa de Santa EuláliaCerveira · Alto Minho

A Galiza ali ao lado

A fronteira fica a um quarto de hora da casa, na Ponte da Amizade. Tui a vinte minutos, Vigo a quarenta — o outro lado do rio conta, e este guia diz como aproveitá-lo.

A fronteira ali ao lado. Daqui, Espanha não é uma viagem — é um salto. A Ponte da Amizade, inaugurada em junho de 2004, liga Vila Nova de Cerveira a Goián, no concelho de Tomiño, em catorze minutos de carro da casa, e de repente muda a língua, mudam os horários e muda a ementa. Não há controlo de fronteira: Portugal e Espanha partilham o euro e o espaço Schengen, e basta levar o documento de identificação como em qualquer viagem.

Tui. A vinte minutos, Tui sobe em ruas medievais até à catedral de Santa María, começada em 1120 e consagrada em 1225 — uma catedral com ameias, construída também para defender, com um pórtico que é o primeiro exemplo de escultura gótica da Península Ibérica, claustro dos séculos XII a XV e museu. O centro histórico é compacto e faz-se a pé: túnel das freiras, capelas, praças pequenas com esplanadas e o miradouro sobre o rio com a fortaleza de Valença em frente. Tui é também o ponto de partida clássico do Caminho Português em Espanha, e nota-se nos peregrinos ao fim da tarde. Duas horas fazem-lhe justiça; com mesa pelo meio, meia jornada. Valença e Tui fazem um passeio só.

Vigo. A quarenta minutos, Vigo é a maior cidade da Galiza e a grande cidade mais próxima da casa: o Casco Vello a descer para o porto, as ostras do Mercado da Pedra, compras, restaurantes e ambiente urbano quando apetecer cidade. Da estação marítima partem os barcos para as ilhas Cíes, no Parque Nacional das Illas Atlánticas — mas na Páscoa e entre 15 de maio e 15 de setembro é obrigatória uma autorização prévia e gratuita da Xunta de Galicia para desembarcar, com lugares limitados por dia; fora dessas datas trata-se da autorização com a companhia de navegação. Não é passeio de improviso: reserve autorização e barco com antecedência nos canais oficiais.

A Guarda e o Monte de Santa Trega. Na foz do Minho, em frente a Caminha, A Guarda é uma vila de pescadores com porto a sério e boa paragem para almoçar peixe. Por cima, o Monte de Santa Trega sobe a 341 metros mesmo sobre a foz, com as ruínas de um dos maiores castros galaicos — casas circulares de pedra, monumento histórico-artístico desde 1931 — e o pequeno museu arqueológico no topo. Sobe-se de carro quase até cima, paga-se uma taxa de acesso simbólica e o Patronato organiza visitas guiadas gratuitas em certas alturas do ano; confirme horários e condições no site de turismo de A Guarda. A vista explica a região inteira: o rio a entregar-se ao Atlântico, Caminha e Moledo na margem portuguesa, o Minho verde rio acima. O topo é exposto — leve água e chapéu.

Baiona. Na costa a sul de Vigo, Baiona foi o primeiro porto da Europa a saber da chegada de Colombo à América: a caravela Pinta entrou aqui a 1 de março de 1493, e há uma réplica no porto com um pequeno museu a bordo — a Festa da Arribada celebra a data todos os anos no início de março. A fortaleza de Monterreal, sobre a baía, acolhe desde 1966 o Parador, e as muralhas percorrem-se a pé com o mar dos dois lados. Combina bem com A Guarda num mesmo dia pela estrada da costa.

O horário espanhol. Espanha vive uma hora à frente de Portugal, e a diferença conta duas vezes: no relógio e nos hábitos. Por regra, na Galiza almoça-se depois das duas e janta-se depois das nove, e muitas cozinhas só abrem à noite a partir das oito e meia ou nove. Para jantar à portuguesa às 20h, em Tui são 21h — o que, por acaso, calha perfeito. Acerte o relógio ao atravessar a ponte e confirme horários de museus e monumentos na hora local.

Moeda e telemóvel. É tudo euro, e os cartões portugueses funcionam como em casa. O roaming dentro da União Europeia não tem custos extra, mas convém desligar a seleção automática de rede perto do rio, porque o telemóvel apanha muitas vezes a rede espanhola ainda em Portugal. A hora do telemóvel muda sozinha na ponte.

Dormir em Portugal, jantar em Espanha. É a lógica desta casa: a fronteira Minho ensinou às duas margens a jantar num país e dormir no outro. Tapas em Tui — polvo, pimentos de Padrón, tortilla, albariño — na Tapería A Carla, a nossa morada habitual, e vinte minutos depois a cama em Gondar. Ao contrário também funciona: quem vem da Galiza tem em Cerveira a feira de sábado, a fortaleza de Valença, a ecopista do Minho e as praias de Caminha e Moledo, e o Porto a uma hora pela A3.

Como encaixar. Meia jornada: Tui, colada à visita de Valença. Dia inteiro: Santa Trega e almoço em A Guarda, Baiona ou Vigo à tarde, regresso pela margem galega do Minho até Goián e a Ponte da Amizade. Ao jantar: Tui, a saída noturna clássica da estadia. Com miúdos: o castro de Santa Trega é cenário de histórias e o Aquamuseu de Cerveira fica no caminho de volta.

A casa. A Casa de Santa Eulália fica em Gondar, a catorze minutos da ponte: três quartos para até seis hóspedes, piscina privada, pátio e salamandra. É a base para conhecer os dois lados do rio sem mudar de cama.

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